Fungo em cavalo: o que passar, o que nunca passar e como cortar a recaída

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Em resumo

  • Fungo de verdade no cavalo (micose, ou dermatofitose) é infecção contagiosa e zoonose. Diagnóstico e antifúngico são do veterinário.
  • Nenhum shampoo, balm ou óleo cura fungo. O dermocosmético limpa sem agredir, repara a barreira e ajuda a evitar a recaída.
  • Iodo, creolina, álcool, óleo queimado, água sanitária e vinagre não tratam fungo: queimam a pele e preparam o terreno para ele voltar.
  • O fungo “volta” quando a barreira segue frágil e o esporo segue na escova, na manta e na baia.

Neste artigo

Alguém olhou a falha redonda no pescoço do seu cavalo e disse: “é fungo”. Talvez o veterinário já tenha confirmado, talvez ainda não. A pergunta que chega é sempre a mesma: o que eu passo?

A resposta tem duas partes. O antifúngico, quando indicado, é prescrição veterinária, e nada que você compre para o banho substitui isso. O que você passa, e o que deixa de passar, decide se o fungo vai embora de vez ou volta na próxima chuva: este artigo é sobre isso. A doença em si está explicada no artigo dermatofitose (ringworm) no cavalo.

É fungo mesmo? Antes de passar qualquer coisa, confirme

A maior parte do que se chama de “fungo” no curral não é fungo. No clima brasileiro, quente e úmido o ano inteiro, a casquinha que gruda o tufo de pelo no lombo e na garupa costuma ser dermatofilose, uma infecção bacteriana, ou dermatite por manejo e produto errado. A dermatofitose de verdade tem outro desenho: falhas arredondadas, de bordas definidas, que crescem devagar, mais comuns em animal jovem ou recém-chegado. A diferenciação está no artigo micose, fungo ou dermatofilose, e o porquê de o palpite errar tanto, em fungo em cavalo.

Se a causa for bactéria, o antifúngico não resolve, e o produto “para fungo” aplicado por precaução só atrasa a lesão. Quem fecha o diagnóstico é o veterinário, com exame microscópico dos pelos e cultura fúngica.

Quem trata o fungo é o veterinário, e o shampoo não substitui o antifúngico

Confirmada a dermatofitose, o veterinário decide se o caso pede antifúngico tópico, sistêmico ou os dois, e por quanto tempo. Este blog não cita nome de antifúngico nem dose: isso é receita, não é dica.

O dermocosmético faz outra coisa, complementar. Um shampoo suave remove crostas, descamação e parte da carga fúngica da superfície sem agredir a pele. Um balm ou um óleo de reparação repõem lipídios e ajudam a barreira a se recompor. Nenhum deles mata o fungo instalado na queratina. Os produtos da EQUI’B são dermocosméticos com registro no MAPA, feitos para integrar o manejo com o veterinário, nunca para substituí-lo. O antifúngico ataca o fungo; limpeza suave e reparo cuidam do terreno.

O que passar: a rotina de limpeza e reparo, passo a passo

Combine a frequência do banho com o veterinário, porque ela pode mudar conforme o antifúngico tópico. A ordem completa está no artigo como dar banho no cavalo.

  • Luvas e material separado. Dermatofitose é zoonose. Escova, bucha e balde só desse cavalo.
  • Molhe por inteiro, das patas para cima, até a água ensopar o pelo, incluindo raiz da crina e rabo.
  • Shampoo suave diluído. Dilua o All Soft Coco Nut em 1:5 e massageie da raiz com bucha ou escova macia. Nas lesões, deixe a espuma trabalhar. Não esfregue nem arranque crosta: isso leva pele viva junto.
  • Enxágue até a água sair limpa, sem resíduo de espuma, com atenção à barriga e à base da cauda.
  • Secagem completa. Rodo no sentido do pelo; depois, lugar arejado, sem sol forte direto. Nunca encilhe ou cubra pelo úmido.
  • Reparo nas áreas sensibilizadas, já secas. Onde o pelo caiu e a pele está seca e sem secreção, uma camada fina de Balm Derma Butter nutre e dá conforto. Sobre lesão úmida ou pele suja, não.
  • Antifúngico prescrito pelo tempo que o veterinário definiu, mesmo que a lesão pareça melhor antes.

O balm (ucuuba, coco, carnaúba, vitamina E e óleo de rícino) mantém a borda suavizada em vez de virar crosta dura e apoia o retorno do pelo. Com a fase ativa controlada, o NutriOil Pele e Pelagem, um óleo de reparação, nutre e acalma a pele ao redor da área que se recupera.

O que nunca passar no fungo do cavalo

A epiderme do cavalo tem a mesma espessura da nossa e a mesma densidade de terminações de dor, e absorve o que é passado nela. A ardência que a tradição leu como “remédio agindo” é tecido vivo sendo agredido.

  • Iodo e clorexidina concentrada, em repetição: citotóxicos para as células que cicatrizam, arrancam o manto hidrolipídico e matam a microbiota de defesa.
  • Creolina, desinfetante de pinho, água sanitária, cloro e amônia: desinfetantes de ambiente, corrosivos para pele viva. A creolina tem absorção cutânea rápida, e diluir não resolve o risco.
  • Óleo de motor queimado, diesel, gasolina e solventes: desengorduram a barreira em minutos, causam dermatite química e são tóxicos por absorção.
  • Álcool, água oxigenada e vinagre: destroem tecido saudável e atrasam a cicatrização. Vinagre é ácido numa pele de pH quase neutro.
  • Sabão de coco, detergente e shampoo de gente: pH incompatível com a pele equina. Quebram o manto e favorecem ressecamento e disbiose.
  • Vaselina, parafina e óleo mineral: abafam a pele que precisava respirar.

O ponto comum: todos removem os lipídios que seguram a barreira e desequilibram o microbioma que compete com o fungo. Sobra uma pele fragilizada, o terreno de que o dermatófito precisa para voltar. Secar e cauterizar não é curar. A lista completa, com o que cada substância faz, está no artigo o que nunca passar no cavalo.

Escovas, mantas, sela e baia: o contágio que volta pelo equipamento

O fungo passa por contato direto entre animais e por contato indireto: escovas, selas, mantas, cabrestos e baias. Os esporos sobrevivem por longos períodos no equipamento. Tratar o cavalo e seguir usando a escova que passa em todos os outros é reinfectar o paciente e espalhar para o plantel.

Na prática: escova, bucha, cabresto e manta individuais para o cavalo em tratamento até a liberação do veterinário, e higiene rigorosa de tudo o que é compartilhado. Manta ventilada e seca antes de ir para as costas; nada de suor abafado sob o equipamento. Baia com cama seca. Animal recém-chegado merece observação antes de dividir equipamento com o lote.

Quanto tempo leva e por que o fungo “volta”

Em cavalos saudáveis, a dermatofitose costuma ser autolimitante e resolve em semanas a alguns meses. “Esperar passar” não é opção, porque o animal segue contagiante nesse período; com diagnóstico e manejo corretos, você encurta o curso. E a falha de pelo só some quando o pelo novo cresce, o que não acontece em dias.

Quando o fungo “volta”, quase sempre é um destes: o terreno seguiu frágil, com produto agressivo ou umidade sob a manta; o esporo seguiu vivo no equipamento; ou o antifúngico foi interrompido antes do prazo. Prevenir é secar bem o cavalo, ventilar mantas e baias, higienizar o equipamento e manter a barreira reparada, com escovação diária e shampoo que respeita o pH.

Quando chamar o veterinário

Antes de passar qualquer coisa “para fungo”, para confirmar se é fungo. E, durante o tratamento, se aparecer:

  • Pus, secreção ou dor ao toque na lesão.
  • Lesões que se espalham rápido ou não cedem em duas semanas de manejo correto e tratamento prescrito.
  • Inchaço, calor ou dor na região, ou o cavalo abatido e sem apetite.
  • Mais de um animal com lesão no lote, ou alguém da equipe com lesão na pele.

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Perguntas frequentes sobre fungo em cavalo

O que passar em fungo de cavalo?

O antifúngico é o que o veterinário prescrever. Da sua parte, limpeza suave com shampoo diluído, secagem completa e reparo da barreira com balm ou óleo nas áreas já secas. Nada de iodo, creolina, álcool ou óleo queimado.

O shampoo resolve o fungo sozinho?

Não. O shampoo certo remove crostas e parte da carga fúngica sem agredir a pele. O fungo instalado na queratina é tratado pelo antifúngico do veterinário.

Fungo de cavalo pega em gente?

Sim, é zoonose. Use luvas ao manusear as lesões, lave bem as mãos e não compartilhe material sem higienizar.

Por que o fungo do meu cavalo sempre volta?

Porque o terreno seguiu frágil ou o esporo seguiu no equipamento. Produto agressivo, umidade sob a manta, escova compartilhada e tratamento interrompido antes do prazo são as causas mais comuns.

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