Em resumo
- Dermatofitose (ringworm) é infecção fúngica superficial que consome a queratina da pele e dos pelos — não envolve verme algum, apesar do nome.
- É altamente contagiosa: entre cavalos, para outros animais e para pessoas (zoonose). Clima quente e úmido, atrito de sela e manta e produto que rompe a barreira aumentam o risco.
- O diagnóstico é do veterinário — exame microscópico e cultura fúngica; a lâmpada de Wood tem valor limitado no cavalo.
- O cuidado segue três fases (limpar, reparar, prevenir), em vez dos protocolos citotóxicos que destroem a barreira e alimentam a recidiva.
Neste artigo
- O que é a dermatofitose?
- Como o cavalo pega dermatofitose?
- Como é feito o diagnóstico?
- Por que protocolos agressivos favorecem a recidiva?
- Como tratar respeitando a fisiologia da pele?
- Perguntas frequentes
A dermatofitose é popularmente chamada de ringworm apesar de não envolver verme nenhum: o “anel” vem do desenho da lesão — falhas de pelo arredondadas, de borda definida, que crescem devagar. É o fungo de pele mais clássico do cavalo, e também um dos quadros mais maltratados pela tradição do “produto forte”.
O que é a dermatofitose?
Uma infecção por fungos dermatófitos — os mais comuns dos gêneros Trichophyton e Microsporum — que vivem da queratina das camadas externas da pele, dos pelos, da crina e da cauda. Eles não invadem tecido profundo: por isso a lesão aparece como falha de pelo com descamação, não como ferida. E um ponto que pega o dono de surpresa: é zoonose — os mesmos fungos podem passar para quem cuida do cavalo. Não é motivo para pânico, é motivo para higiene consciente: luvas, mãos lavadas, material não compartilhado.
Como o cavalo pega dermatofitose?
Por contato direto com animal infectado — e, mais subestimado, por contato indireto: escovas, selas, mantas, cabrestos e baias guardam esporos que sobrevivem por longos períodos. No Brasil, umidade e calor favorecem o fungo, e o atrito de sela e manta abre as microlesões por onde ele entra. Animal jovem, recém-chegado ou com a barreira de pele comprometida é o alvo preferido.
Como é feito o diagnóstico?
Pelo veterinário, nunca pela aparência. O exame clínico levanta a suspeita; a confirmação vem do exame microscópico dos pelos e, sobretudo, da cultura fúngica, o padrão-ouro. Alerta técnico útil: a lâmpada de Wood tem valor limitado no cavalo, porque a maioria dos dermatófitos equinos não fluoresce. Tratar às cegas é agredir a pele sem resolver a causa — e a maior parte das “micoses” de curral nem fungo é, como mostra o diagnóstico de fungo quase sempre errado.
Por que protocolos agressivos favorecem a recidiva?
Porque a pele é um ecossistema vivo — barreira, microbioma e pH — e não uma superfície a ser esterilizada. A lógica do “quanto mais forte, melhor” (iodo em excesso, cáusticos, sabões alcalinos, esfrega intensa) remove os lipídios que seguram a barreira e desequilibra o microbioma que naturalmente compete com o fungo. Sobra uma pele fragilizada: exatamente o terreno de que o dermatófito precisa para voltar.
Como tratar respeitando a fisiologia da pele?
Em três fases, sempre junto da conduta veterinária (antifúngico tópico ou sistêmico quando indicado). Limpeza suave: remover crostas, descamação e carga fúngica sem agredir — Shampoo All Soft Coco Nut, de tensoativos suaves que preservam pH e lipídios. Reparo da barreira: limpar sem reparar é meio caminho; o Óleo Dermo Cascos (ou a Cera, para áreas que pedem permanência) restabelece a integridade da barreira e cria condições desfavoráveis à recolonização — barreira íntegra é a melhor defesa antirrecidiva. Prevenção: escovação diária, secagem completa após chuva e banho, mantas ventiladas e higiene rigorosa de escovas, selas e baias compartilhadas. A dermatofitose é comum, contagiosa — e evitável com manejo correto.
Recomendados EQUI’B (suporte ao protocolo veterinário)

Óleo Dermo Cascos No Hoof No Horse
repara a barreira e cria condições desfavoráveis à recolonização do fungo.
Perguntas frequentes
Dermatofitose em cavalo pega em humano?
Sim. É uma zoonose: os fungos que afetam o cavalo podem infectar pessoas. Use luvas ao manusear lesões, lave bem as mãos e não compartilhe material sem higienizar.
Quanto tempo dura o ringworm no cavalo?
Costuma ser autolimitante, resolvendo em semanas a alguns meses em cavalos saudáveis. Mas “esperar passar” mantém o animal contagiante; com diagnóstico e manejo corretos você encurta o curso.
Posso usar iodo ou produtos fortes para “secar” a lesão?
Não como rotina. Agentes oxidantes e cáusticos ressecam, desequilibram o pH e enfraquecem a barreira, favorecendo novas crises. Limpe com suavidade, repare a barreira e previna.
Como evito que a dermatofitose volte?
Atacando o terreno, não só o fungo: seque bem o cavalo, ventile mantas e baias, higienize equipamento compartilhado e mantenha a barreira reparada.
Continue lendo
- Fungo em cavalo: por que o diagnóstico está quase sempre errado — por que tanto erro de diagnóstico
- Micose, fungo ou dermatofilose? As casquinhas na pele — comparar com dermatofilose
- Pele sensível e alergia no cavalo: causas e o que fazer — pele sensível pós-tratamento
- Cavalo se coçando muito: o mapa das 5 causas — coceira: o mapa completo
Leia também: Fungo em cavalo: o que passar e o que nunca passar


Conte o caso do seu cavalo