Em resumo
- As cascas na canela do cavalo (cannon crud, ou queratose da canela) são um distúrbio da queratinização: placas grossas, escamosas e gordurosas na frente das canelas dos posteriores. Não é fungo nem culpa da urina.
- Em geral não coça nem dói, mas é crônico: se controla, não se cura, e volta com manejo errado.
- Casquinha presa não se arranca. Arrancar rompe a pele, e pele rompida é a porta da infecção. O caminho é amolecer, lavar com suavidade, secar e nutrir. Reduzir a inflamação é um fator subestimado que ajuda muito na condição.
- Pinho sol, água sanitária, clorexidina e sabão de coco não são higiene regular de pele. Dor, calor, inchaço, secreção ou coceira é caso de veterinário.
Neste artigo
- O que são as cascas na canela do cavalo
- Por que a canela faz casca: o mito da urina e o que agrava no Brasil
- Por que não arrancar as casquinhas presas
- Pinho sol, água sanitária, clorexidina e sabão de coco: por que não entram na higiene regular
- Passo a passo: amolecer, lavar, secar e nutrir
- Manutenção: caneleira, cama e limpeza entre banhos
- Quando chamar o veterinário
- Perguntas frequentes sobre cascas na canela do cavalo
- Referências
Você passa a mão na canela dos pés do cavalo e sente uma superfície áspera, com escamas grudadas e pelo estranho, colado por uma pasta que parece cola seca. Escova, lava, e na semana seguinte está lá de novo. No haras chamam de casca de canela ou fungo de perna. Na literatura veterinária em inglês é cannon keratosis, ou cannon crud.
Este artigo adapta o que as fontes internacionais dizem ao nosso clima e vai direto nos dois erros mais comuns por aqui: arrancar as casquinhas, achar que é fungo e “desinfetar” a perna com produto errado.
O que são as cascas na canela do cavalo
A queratose da canela é uma alteração da cornificação da pele: as células da camada mais externa se multiplicam rápido ou de forma desordenada, ou não descamam no ritmo normal, e sobra queratina na superfície. Resultam placas bem delimitadas de pele espessada, mais escura e irregular, com escamas, crostas aderidas, aspecto gorduroso e pelo ralo ou em tufos.
O lugar clássico é a frente da canela dos posteriores, quase sempre nas duas pernas e em altura parecida. Também pode ocorrer na face, nas orelhas e acima do jarrete. Acomete qualquer sexo, raça e idade, e não é contagioso.
Em geral não coça nem dói, e isso é o seu termômetro: canela quente, inchada, dolorida ou com coceira não é uma simples queratose. Mal manejada, ela pode acabar ferindo e entrando bactérias.
Por que a canela faz casca: o mito da urina e o que agrava no Brasil
A causa exata não é conhecida. A condição é considerada idiopática, provavelmente com combinação de fatores e algum componente genético. A explicação tradicional, urina respingando nas pernas dos machos, foi descartada: éguas também têm. E não é fungo.
Sujeira e umidade pioram: a placa é gordurosa e segura pó, terra e resíduo de cama. No nosso clima quente e úmido, com lama no piquete, cama molhada, suor sob a caneleira e mangueira todo dia sem secar, a pele da canela vive macerada. Isso não cria a queratose, mas prepara o terreno para a inflamações e infecção secundária.
Como é crônica, existe manejo e não cura. As fontes são unânimes: quando o cuidado para, a placa volta.
Por que não arrancar as casquinhas presas
Casquinha aderida está presa na pele viva. Ao arrancar com a unha, raspadeira ou escova dura, você não remove a doença: remove epiderme junto, lesiona e deixa uma porta aberta. A queratose por si só raramente inflama, mas quando a pele se rompe o risco de infecção sobe. A veterinária Lydia Gray resume: esfregar com força, cutucar ou usar produto que não foi feito para a pele tende a piorar tudo.
A lógica correta é a oposta: o que está preso se amolece até soltar sozinho, e o que não soltou fica para a próxima sessão. Os protocolos internacionais funcionam assim: agente amolecedor ou queratolítico sobre a placa, lavagem suave no dia seguinte, enxágue, secagem completa e repetição até controlar. Ninguém arranca nada.
Pinho sol, água sanitária, clorexidina, sabão de coco, furanil entre outros: não entram na higiene regular
No Brasil, o reflexo de quem vê casca é achar que é fungo e “desinfetar”: pinho sol, água sanitária, clorexidina, iodo, furanil, sabão de coco esfregado na canela. Só que a casca não é fungo nem bactéria, então esses produtos errados só prejudicam. Eles atacam a pele: a queratose é uma condição que pede manejo inteligente, com higiene suave regular, óleos e manteigas para amolecer naturalmente as escaras e reduzir a inflamação.
Clorexidina e iodo são antissépticos com hora e lugar, e quem define é o veterinário, para infecção diagnosticada e por tempo determinado. Como rotina, trabalham contra a barreira que você quer preservar Veja o que nunca passar no cavalo.
Passo a passo: amolecer, lavar, secar e nutrir
O protocolo abaixo adapta a sequência internacional aos dermocosméticos EQUI’B.
- Amolecer. Aplique NutriOil puro sobre as placas e deixe agir alguns minutos. Em placa grossa, deixe de um dia para o outro, como nos protocolos internacionais, e lave no dia seguinte. Ou emulsione um pouco do óleo em água morna e aplique com esponja ou pano (hot cloth).
- Lavar. Molhe a canela, aplique o Shampoo All Soft Coco Nut diluído 1:5, massageie de leve com os dedos ou esponja macia, deixe a espuma agir e enxágue por completo. Sem escova dura, sem raspar.
- Retirar só o que soltou. Pano ou dedos no sentido do pelo. O que ficou preso, fica para a próxima sessão.
- Secar por completo. Toalha e secagem; pele molhada e abafada é o que você não quer.
- Nutrir. Na pele já seca, camada fina de Balm Derma Butter ou de NutriOil. Uma pele nutrida cria menos queratoses e o quadro vai sendo limitado.
- Repetir. Dia após dia até a canela ficar lisa; placa avançada pede várias rodadas. O sinal de que está funcionando é a casquinha saindo sozinha, sem sangue e sem pelo arrancado.
Manutenção: caneleira, cama e limpeza entre banhos
Entre banhos, limpe a canela com o So Nice & Bright: borrife, passe pano úmido em movimentos circulares, sem enxágue e sem molhar o cavalo inteiro. Escova macia ou luva de borracha todo dia solta escama e pelo morto sem agredir.
Caneleira e boleteira limpos, só entram em pata limpa e seca, e saem logo depois do trabalho: caneleira suada sobre placa gordurosa é abafamento puro. Se o hábito é mangueira nas pernas todo dia, secar todo dia é parte do hábito. Cama seca e piquete drenado completam. Nada disso cura a queratose, mas evita que uma condição cosmética vire infecção.
Quando chamar o veterinário
Chame o veterinário diante de inchaço, calor, dor ao toque, secreção, ferida que não fecha, vermelhidão ao redor da placa, febre ou sangramento. Isso indica infecção secundária ou outra doença.
Também é caso de veterinário quando o cavalo coça, bate o pé ou esfrega uma perna na outra, com lesão que começa pela quartela e pelo boleto: pode ser sarna de perna, por ácaros, a forma mais comum de sarna em cavalos segundo o Merck Veterinary Manual. Crostas em outras partes do corpo pedem que se descarte dermatofilose e dermatofitose. Lesão atrás da quartela, e não na frente da canela, é dermatite de quartela. Muitas doenças de pele se parecem, por isso a importância de diagnóstico e causas claras.
Referências
- Equiderma. Cannon Crud (cannon keratosis). Equiderma.com, sem data, acesso em setembro de 2026.
- Rice, S.; revisão veterinária de Ricard, M., DVM, PhD, DACVP. Keratosis (Stud Crud) in Horses: Symptoms, Prognosis & Treatment. Mad Barn, 2026.
- Thal, D., DVM, Dipl. ABVP. Cannon Dermatitis or Keratosis. Horse Side Vet Guide, 2024.
- Gray, L., DVM. Treating Cannon Crud on Horse Legs (Keratosis or Dermatitis). SmartPak Equine, 2025.
- Reichard, M. V.; Thomas, J. E. Mange (Acariasis, Mange Mites) in Horses. Merck Veterinary Manual, 2024.
Recomendados EQUI’B para cascas na canela do cavalo
- NutriOil Pele e Pelagem Luminessence InFusion — o óleo umectante para amolecer as placas, puro ou emulsionado em água morna, e para nutrir a pele seca depois do banho.
- Shampoo All Soft Coco Nut — limpeza suave que protege a camada dérmica e o manto lipídico, feita para uso frequente.
- Balm Derma Butter Real Heal — barreira nutritiva vegetal para a canela já limpa e seca, inclusive em áreas de atrito da caneleira.
- Limpador sem enxágue So Nice & Bright — limpeza diária da canela entre banhos, sem molhar o cavalo inteiro.
Perguntas frequentes sobre cascas na canela do cavalo
Casca na canela do cavalo é fungo?
Não. É um distúrbio da queratinização, não uma infecção, e não passa de um cavalo para outro. Antifúngico e desinfetante não resolvem; o que funciona é amolecer, limpar com suavidade e nutrir.
Posso arrancar as casquinhas que já estão soltas?
As que saem sozinhas no pano ou na lavagem, sim. As que resistem estão presas a pele viva: arrancar sangra, tira pelo e abre porta para infecção. Amoleça de novo e espere a próxima sessão.
Quanto tempo leva para as cascas na canela sumirem?
Depende da espessura da placa; casos avançados pedem várias rodadas. Como a condição é crônica, ela volta quando o cuidado para. O objetivo é controle, não cura.
Posso usar clorexidina ou água sanitária para lavar a canela?
Não como higiene regular. A causa não é infecção, e esses produtos agridem a barreira que você quer recuperar. Clorexidina e iodo só entram quando o veterinário diagnostica infecção e prescreve; água sanitária e pinho sol, nunca na pele.
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