A pele do seu cavalo é mais sensível do que você imagina. Evite alergias.

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Em resumo

  • A fama de “couro resistente” vem da derme, a camada profunda de colágeno, a mesma que vira couro no curtume. A camada viva da superfície, a epiderme, tem no cavalo a mesma espessura que a nossa: cerca de três centésimos de milímetro.As terminações nervosas de dor ficam nessa camada fina, e o cavalo as tem na mesma densidade que nós. O que arde na sua pele, arde na dele.
  • A pele equina é menos oleosa que a humana e trabalha em pH quase neutro: tende ao ressecamento e depende de uma película fina de sebo para se defender.
  • E ela absorve: fenóis, organofosforados e derivados de petróleo têm absorção pela pele documentada, com efeitos no fígado, nos rins e no sistema nervoso.

Neste artigo

Alergias, dermatites, caspas, fungos e perda de pelo não são um azar. Na maioria das vezes tem causa e ela é triste: não acreditam que a pele do cavalo é sensível e frágil. Muito mais do que a gente imagina!

O uso de pinho sol e outros produtos de limpeza na pele do cavalo é um tema que gera dúvidas e precisa ser abordado com cuidado. Mas precisa ser falado e muito, pois o que mais vemos. na internet é centenas de dicas erradas pra cuidar de cavalo. Eles não falam nem demonstram. Mas eles sentem muito! Vem saber mais.

Todo mundo já ouviu, e talvez já tenha repetido, que cavalo tem “couro grosso”. A frase existe por um motivo real: o conjunto profundo da derme é resistente, cheia de colágeno. O erro está na conclusão de que a pele na superfície aguenta qualquer coisa. A anatomia mostra o contrário: o que é forte no cavalo é a camada que vira sola de sapato; a camada que sente, protege e adoece é tão sensível quanto a sua.

Por isso que muitas vezes, quando acham que a pele do cavalo está com fungo, o problema é dermatite pelo uso de produtos que prejudicam a pele deles.

O cavalo parece limpo, mas o couro não está

De onde vem a fama de couro resistente?

Da derme, a camada profunda da pele. Ela é um tecido denso de colágeno, comprovadamente mais espesso no cavalo do que no ser humano, e é ela que dá a sensação de firmeza quando você aperta a pele do pescoço ou da garupa. É também a derme que a gente sente por baixo do toque. Só que a derme não é a fronteira do corpo. Quem faz fronteira com o mundo — com o sol, o suor, os produtos e tudo o que encosta no cavalo — é a camada de cima.

E a camada que sente, quanto mede?

Cerca de três centésimos de milímetro. Um estudo publicado em 2020 na revista Animals mediu e comparou a pele da garupa de cavalos e de humanos, na região equivalente: a epiderme equina tem em média 31,6 micrômetros, contra 26,8 da humana — diferença sem significância estatística. O mesmo estudo contou as terminações nervosas dessa camada, as fibras que detectam dor, e não encontrou diferença entre as espécies. A conclusão dos autores é direta: humanos e cavalos têm as mesmas estruturas anatômicas básicas para sentir dor na pele. O trabalho nasceu do debate sobre o uso do chicote em corridas, mas vale pro cuidado dermatológico, e derrubou o argumento de que o cavalo “não sente como a gente”. Sente. Na mesma camada, com a mesma densidade de nervos, sob uma película da mesma espessura.

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Por que a pele do cavalo resseca com tanta facilidade?

Porque a defesa de superfície dela é mais delicada que a nossa. A pele equina produz menos oleosidade que a pele humana, regenera mais devagar e trabalha em pH quase neutro, entre 6,8 e 7,5, uma faixa que oferece menos proteção química que a acidez da nossa.

O que segura a hidratação e dificulta a entrada de microrganismos é o manto hidrolipídico, uma película fina de sebo e suor — e o suor do cavalo, carregado de sais, resseca a própria pele quando seca sobre ela. Some a área de corpo exposta ao sol, a rotina de banhos e o atrito de equipamentos, e o resultado é uma pele que vive mais perto do limite do que a gente imagina. O mito do cavalo do “couro grosso” caiu por terra.

A pele absorve o que passa nela?

Absorve, e esse é o ponto que menos se leva a sério. A via transdérmica é uma rota de administração reconhecida na medicina equina: existem fármacos formulados para atravessar a pele do cavalo e agir no organismo inteiro. A mesma porta serve para o que não deveria entrar. Fenóis e cresóis, a base da creolina, atravessam a pele com dano documentado ao fígado, aos rins e ao sistema nervoso, há caso humano de intoxicação sistêmica apenas por contato cutâneo. Inseticidas organofosforados absorvem pela pele e produzem a síndrome colinérgica: salivação, cólica, tremores, morte. Derivados de petróleo irritam, desengorduram a barreira e também trazem intoxicação por metais pesados e carcinogênicos. E dois fatores multiplicam tudo isso: a oclusão, quando se cobre a área tratada, e a pele lesada, que absorve muito mais que a íntegra. Isso vale pro casco com infiltrações, brocas e tecidos lesionados!

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O que isso muda na prática?

Muda o critério e nos existe muito mais consciência no manejo do cavalo. Uma pele com a espessura sensível da nossa, menos oleosa que a nossa e capaz de absorver o que recebe não é um órgão vivo e exposto, o maior do corpo do cavalo.

O teste prático cabe em uma pergunta: você passaria isso na sua própria pele, todos os dias? Se a resposta é não, a pele do cavalo merece a mesma recusa. E produtos que passam nele devem ter sido formulados para a fisiologia dele: o pH, a oleosidade e a sensibilidade de um animal que sente exatamente como você

Referências

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Perguntas frequentes

A pele do cavalo é mais resistente que a humana?

Só na camada profunda, a derme, que é mais espessa e resistente. A camada da superfície, a epiderme, tem a mesma espessura da humana — cerca de três centésimos de milímetro — e a mesma densidade de terminações nervosas.

Cavalo sente dor, coceira e ardência na pele como a gente?

Sim. Um estudo comparativo publicado em 2020 na revista Animals não encontrou diferença entre humanos e cavalos nem na espessura da epiderme, nem na contagem das fibras nervosas que detectam dores nessa camada.

O que a pele do cavalo pode absorver?

Praticamente tudo que passamos nela. Fenóis e cresóis (como os da creolina e do pinho sol), inseticidas, derivados de petróleo têm absorção cutânea documentada, com efeitos sistêmicos no fígado, nos rins e no sistema nervoso. Pele lesada e áreas cobertas absorvem ainda mais.

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