As graxas de casco que estragam o casco do cavalo

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Casco escuro de cavalo brilhando após a aplicação de graxa

Em resumo

  • Graxa de casco não trata nem nutre: forma uma camada sobre a parede e prende embaixo dela água, lama e bactéria.
  • Vaselina e óleo mineral abafam, solventes ressecam a queratina e o sebo de carneiro rança, alimenta bactéria e pode transmitir zoonoses.
  • A umidade do casco vem de dentro, pela circulação. Por fora, o casco precisa de higiene, fortalecimento e nutrição com óleos e manteigas vegetais que ele absorve.
  • Na rotina EQUI’B a ordem é limpar, higienizar, tratar o que precisa, fortalecer e nutrir por último, com o casco limpo e seco.

Neste artigo

O cavalo sai do banho, o tratador passa graxa nos quatro cascos e eles ficam brilhando. Semanas depois, a parede lasca, a ranilha cheira mal e a ferradura não segura o cravo. Aí a conclusão é que o casco está seco, e a graxa aumenta.

Cera HoofBling: nutrição para o casco do cavalo

A graxa é o produto mais usado na rotina do casco e o que mais atrapalha. Ela não trata nem nutre, só forma uma camada, e tudo o que estava embaixo fica preso: areia, barro, umidade, esterco nos sulcos da ranilha. Muito conteúdo na internet ainda manda selar o casco. Aqui explicamos, pela fisiologia do casco e pela composição de cada produto, por que isso prejudica.

Como o casco controla a própria umidade

O casco é queratina que cresce sem parar, produzida na banda coronária e nas lâminas, que recebem sangue o tempo todo. A umidade da parede vem dessa circulação, de dentro para fora. Por fora, a parede tem uma camada própria, o perióplo, que regula a troca de água com o ambiente.

A queratina absorve água e, encharcada, perde dureza (Bertram e Gosline, 1987). O casco amolece quando molha e encolhe quando seca, e é esse vaivém entre lama e sol que fatiga a parede. Falta de óleo não é o problema.

As graxas que estragam o casco

A maioria das graxas à venda é feita de vaselina, óleo mineral, parafina ou ceras sintéticas, às vezes com solvente. Receitas antigas usam sebo de carneiro. Cada base prejudica de um jeito.

Vaselina e óleo mineral abafam. São derivados de petróleo, inertes, e a queratina não aproveita nada deles. A vaselina está entre os agentes mais oclusivos que existem: fica na superfície e trava a troca de água (Purnamawati e colaboradores, 2017). Sobre casco úmido, segura a água dentro. Sobre a ranilha, cria um ambiente fechado e sem oxigênio, o preferido das bactérias anaeróbias da podridão de ranilha (Beasley, 2024).

Solventes ressecam. Entram na graxa para deixar o produto fluido e com cara de verniz. Eles dissolvem gordura, inclusive os lipídios naturais do perióplo e da queratina da superfície. Resinas fazem algo parecido: criam uma capa rígida sobre a parede, que continua frágil por baixo. O casco parece duro, perde elasticidade e lasca. A lista completa está em o que nunca passar no cavalo.

Sebo de carneiro rança e contamina. Tem fama de remédio natural, mas é gordura animal: oxida e rança com ar, calor e umidade, cheira, atrai mosca e alimenta bactéria e fungo. Por ser gordura animal sem controle sanitário, também pode transmitir zoonoses. E, como fica na superfície, tampa o que está embaixo, igual à graxa.

Por que casco não se sela

Selar só faria sentido sobre um casco limpo, seco e saudável, e na rotina isso quase nunca acontece. Os sulcos da ranilha guardam umidade e sujeira. Com uma camada por cima, a ranilha escurece, amolece e começa a cheirar, e daí até a broca é questão de tempo. No verão, com chuva e piquete alagado, o casco passa a estação inteira abafado.

O que nutre o casco de verdade

Óleos e manteigas vegetais têm ácidos graxos e compostos biocompatíveis, que a queratina aproveita. Bem formulados, são absorvidos e não formam película.

O Óleo Dermo Cascos é 100% vegetal: babaçu, andiroba, copaíba, melaleuca, coco, semente de uva, abacate, rícino, arnica e vitamina E, sem vaselina, óleo mineral, parafina ou ceras sintéticas. Ele absorve rápido, nutre a parede e ajuda a evitar lascas e rachaduras. Andiroba, copaíba e melaleuca previnem e tratam fungos, bactérias e odores, e a arnica alivia solas cansadas e inflamadas. A Cera Dermo Cascos HoofBling tem a mesma base vegetal, com murumuru e carnaúba, e deixa acabamento acetinado, sem resíduo.

A rotina EQUI’B, na ordem certa

  • Limpar todos os dias com o Hoof Pick, tirando lama, esterco e pedra dos sulcos.
  • Higienizar sola e ranilha com o FreshFeet, sem enxágue. Os sulfatos de zinco e de cobre, com andiroba, copaíba e babaçu, previnem e tratam bactérias e fungos e controlam o excesso de umidade.
  • Tratar a ranilha escura, amolecida ou com cheiro, os sulcos infeccionados e a linha branca infiltrada com o UltraPur, que limpa em profundidade, ajuda a soltar tecido morto e neutraliza o odor.
  • Fortalecer com o StrongBase, que reforça a ligação entre as moléculas de queratina da parede e da sola sem tirar a elasticidade. Casco limpo e seco, longe da banda coronária, com luvas.
  • Nutrir por último com Óleo Dermo Cascos ou Cera HoofBling, em camada fina.
  • Em parede fina ou que lasca sempre, aplicar o 3DCoronext na banda coronária: ele estimula a circulação nos microvasos que nutrem o cório, e a parede nova cresce mais densa.

Cada etapa está explicada em a ordem certa dos produtos de casco.

Quando chamar o ferrador e o veterinário

Rachadura, ferradura que solta e lasca que se repete são com o ferrador. Mau cheiro que não passa com a rotina, secreção escura, sensibilidade, calor ou manqueira pedem o veterinário. E peça que ele olhe os cascos em toda visita clínica.

Referências

  • Bertram, J. E. A.; Gosline, J. M. Functional design of horse hoof keratin: the modulation of mechanical properties through hydration effects. Journal of Experimental Biology, 1987.
  • Purnamawati, S.; Indrastuti, N.; Danarti, R.; Saefudin, T. The Role of Moisturizers in Addressing Various Kinds of Dermatitis: A Review. Clinical Medicine & Research, 2017.
  • Beasley, B. Thrush in Horses. Merck Veterinary Manual, revisado em 2024.

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Perguntas frequentes sobre graxa de casco

Graxa de casco faz mal ao cavalo?

A graxa de vaselina, óleo mineral ou resina não nutre e forma um filme que abafa. Sobre casco úmido ou sujo, prende água e bactéria por dentro e favorece a podridão de ranilha.

Posso passar graxa no casco todo dia?

Não é o recomendado. Produto com vaselina, óleo mineral ou solvente no rótulo não deveria entrar na rotina. Todo dia, o casco precisa de limpeza e higienização; a nutrição com óleo ou cera vegetal entra por último, no casco limpo e seco.

Sebo de carneiro é melhor que graxa?

Não. É gordura animal, que rança, atrai mosca, alimenta bactéria e fungo e pode transmitir zoonoses. E também forma camada sobre o casco.

Graxa de casco resolve rachadura?

Não. Rachadura pede casqueamento correto com o ferrador e fortalecimento da parede. Graxa por cima da fenda só tampa a sujeira dentro dela.

Qual a diferença entre graxa de casco e óleo ou cera de nutrição?

A graxa comum é derivado de petróleo e só forma filme. Óleo ou cera vegetal bem formulado leva lipídios e ativos biocompatíveis que o casco absorve, sem resíduo e sem abafar. Com vaselina, óleo mineral ou parafina no rótulo, é o produto errado.

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