Como escovar o cavalo: passos, tipos de escova e benefícios além da limpeza

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Em resumo

  • Escovar não é só limpeza, é manejo: ativa a circulação, ajuda a drenagem linfática e é o momento em que você encontra ferida, calor e sensibilidade antes de virarem problema.
  • A ordem importa: a raspadeira solta, a cerda dura tira o grosso, a mista limpa e dá brilho, crina e cauda têm escova própria e a cerda natural macia fecha o acabamento.
  • Cerda sintética limpa e aguenta molhar, cerda natural distribui o sebo que dá brilho, e a mista faz o meio de campo e ainda aplica os finalizadores.
  • Escova é individual: compartilhar escova entre cavalos é uma das formas mais fáceis de espalhar fungo no plantel. Tá, parece frescura, mas pensa e reflita. Você compartilha escova de cabelo ou escova de dentes?

Neste artigo

A escovação vai muito além da estética. Bem feita, ela remove sujeira, suor seco e células mortas, mantém a pele limpa e a pelagem saudável, e ainda estimula a circulação sanguínea e a drenagem linfática, o que se traduz em conforto muscular e apoio à recuperação depois do exercício. E ajuda a crescer a pelagem mais forte!

E tem um extra importante: escovar é um momento de conexão. É nesse tempo dedicado que o tutor desenvolve sensibilidade para perceber sinais sutis de desconforto, pequenas lesões e mudanças de comportamento. Uma rotina de presença e vínculo, onde cada toque reforça a confiança entre os dois. Os cavalos fazem o “grooming” uns nos outros, já reparou?

Este é o guia do ritual: os passos, o que cada tipo de cerda faz e os erros que estragam o resultado. Se a sua dúvida é qual escova comprar, o caminho é o nosso guia de qual a melhor escova para cavalo; aqui o assunto é como usar.

Por que a escovação não é só para tirar poeira

A pele é o maior órgão do cavalo, e o pelo saudável depende do sebo que ela produz: é ele que protege, impermeabiliza e dá o brilho de verdade. A escovação diária faz três trabalhos ao mesmo tempo. Limpa o que acumula e sufoca a pele, sujeira, suor seco e pelo morto. Massageia, ativando a circulação e a drenage, que ajudam o músculo e tecidos a se recuperar. E distribui o sebo da raiz ao longo do fio, que é de onde vem o brilho natural da pelagem.

Há ainda a função que importa para a saúde: a inspeção. Quem escova todo dia conhece o normal do seu cavalo, e por isso percebe cedo a ferida escondida, o calor num membro, a sensibilidade nova, a caspa começando. Boa parte dos problemas de pele que chegam avançados ao veterinário teriam sido pegos pequenos numa escovação atenta.

Cerdas sintéticas, naturais e mistas: o que cada uma faz

A cerda sintética é a força de trabalho da limpeza. Rigidez calibrada para remover lama seca, suor e areia, durabilidade alta e facilidade de lavar. É ela que encara os passos pesados da rotina, sempre na direção do crescimento do pelo. É imprescindível que ela tenha a base de material sintético lavável e não poroso, evitando o acúmulo de sujeiras, bactérias e fungos. Sabe aquela escova com a base de madeira e cerdas plásticas duras como de vassoura? Então, ela não vai garantir a higiene e segurança pro seu cavalo!

A cerda natural, feita de javali, crina de cavalo ou fibra de coco, trabalha diferente: por ser queratina, como o pelo do cavalo, ela tem afinidade com o sebo, puxa a gordura da raiz e leva ao longo do fio, com ponta que dobra em vez de arranhar. É a cerda do brilho, do acabamento acetinado e também das áreas de pele fina como cabeça. Já as fibras de coco e sisal, costumam ter muita estrutura e dureza, sendo excelentes para tirar barro seco, pelos presos e mais ásperos.

As cerdas mistas combinam os dois tipos de cerdas em diferentes materiais e proporções: média rigidez para a limpeza leve do dia a dia, a retirada da poeira fina, para assentar o pelo já bem escovado e para a aplicação de finalizadores. É a mais versátil da rotina, existem em vários modelos e finalidades e geralmente servem para todos os tipos de pelagem.

O passo a passo da escovação

O ritual completo, em ordem:

PassoFerramentaGestoO que resolve
1. Soltar e massagearRaspadeira (curry): firme até para a pelagem mais densa, porém macia para pele finaMovimentos circulares no corpo seco. Pode ser usada no pelo úmido também.Sujeira solta, pelo morto, retirada de sujeira aderida na pele, massagem e circulação
2. Limpeza pesadaEscova de cerda sintética rígida

Escova de cerda natural rígida
Na direção contrária e na direção do pelo, movimentos firmes e contínuos, puxando a sujeira da base do pelo para a camada superficialLama seca, suor e areia, pelos soltos e mais grossos
3. Limpeza fina e brilhoEscova de cerda mista, média rigidezMovimentos longos e contínuos, voltados pra fora, visando retirar a sujeira puxada pra superfíciePoeira mais fina, pelos remanescentes, e para assentar o pelo ou aplicar finalizadores
4. Crina e caudaEscova própria de crina e cauda. As de fibra longas são indicadas pra tirar partículas maiores e poeira. Já as de pinos e cerdas de javali, desembaraçam e alinham numa escovação só, a secoEm mechas, com suavidade, das pontas para a raiz quando há nó.

Escovar demais e errado crinas e caudas é o maior fator de quebras e perda de fios.
Desembaraço e alinhamento, sem quebrar o fio
5. AcabamentoEscova de cerda natural macia, diferentes comprimentos.Toques leves e longos, sempre abrindo pra fora do cavaloTira a última poeira fina e dá aquele brilho final
Casco (todos os dias)Limpador de casco e escova de cascoGancho na sola e na ranilha, escova nas laterais. Deixar o casco “sujo” é o maior causador de podridão e brocas.Pedras, detritos e a inspeção diária, nunca deixar o casco com barro e material orgânico.
BanhoEscova de lavagem sintética; nas raízes de crina e cauda, a escova de silicone massageadora

Escova para banho de corpo, canelas e quartelas
Movimentos de vai e vem durante a lavagem, alcançando todas as áreas até a pele.

Nas crinas e rabos, pentear apenas depois de hidratar e condicionar.
Limpeza profunda com água e shampoo, inclusive pernas e cascos

Os erros que estragam a escovação

Compartilhar escova entre cavalos, que é transporte gratuito de fungo e bactéria de um animal para o outro. Escovar por cima de ferida, crosta ou dermatite, machucando e piorando o problema. Usar cerda dura em pele fina e áreas sensíveis.

Usar rasqueadeiras com pontiagudas e de metal usando força, sem considerar a sensibilidade do cavalo. Além de dor e desconforto, ainda quebram o pelo.

Puxar a crina seca e embaraçada com força, quebrando fios e deixando as pontas espigadas.

Usar escovas sujas e contaminadas, sem o mínimo de higiene no manejo.

O Brush Bar EQUI’B: as escovas de cada passo

Perguntas frequentes sobre escovação

Com que frequência escovar o cavalo?

Todos os dias, idealmente de manhã e antes e depois do trabalho. É limpeza, massagem e inspeção no mesmo gesto, e é a inspeção diária que pega problema de pele no começo.

Qual a ordem certa das escovas?

Raspadeira em movimento circular, cerda dura para o grosso, cerda mista para a poeira fina e o brilho, escova de crina e cauda, e a cerda natural macia por último, no acabamento.

Posso usar a mesma escova em vários cavalos?

Só se nenhum deles tiver alteração de pele, e mesmo assim não é o ideal. Escova compartilhada é uma das formas mais comuns de espalhar fungos e bactérias no plantel.

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