Braquiária queima e dá alergia na pele do cavalo?

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Em resumo

  • A braquiária não queima a pele por contato: suas saponinas lesam o fígado, a filoeritrina (derivado da clorofila) se acumula e reage com o sol na pele.
  • Pele branca sofre primeiro, mas com muita toxina e sol forte a pele pigmentada também lesiona, e o cavalo escuro pode ter o fígado doente sem sinal na pele.
  • Diagnóstico e tratamento são do veterinário. A primeira medida é tirar o cavalo do pasto suspeito e do sol.
  • Dermocosmético não trata fígado nem fotossensibilização. Entra depois, na pele já seca e sem ferida.

Neste artigo


Antes de começar, entenda: pasto de braquiária não é adequado para cavalo!

Cena comum no Brasil: o lcavalo entra num pasto de braquiária que rebrotou com a chuva e, dias depois, ele aparece com o focinho inchado, a pele descolando em placas, levando o pelo junto. O dono pensa em queimadura de sol ou fungo, passa uma pomada e devolve o cavalo ao mesmo pasto.

A pele é só a parte visível. Sinal de que o fígado foi atingido.

O que é fotossensibilização e por que o fígado está no centro

Fotossensibilização é a reação da pele que acontece quando uma substância fotoativa, circulando no sangue, encontra a luz ultravioleta: formam-se radicais livres e o tecido é lesado. Na queimadura de sol comum, o sol sozinho agride a pele; aqui há um agente químico dentro do cavalo.

O Merck Veterinary Manual separa dois caminhos. No primário, a planta ou um medicamento traz o agente pronto. No hepatógeno, o agente é a filoeritrina, produto normal da digestão da clorofila, que o fígado saudável elimina pela bile. Com fígado ou ductos biliares lesados, ela se acumula, chega à pele e reage com o sol. É a forma mais comum, e a doença é vista sobretudo em bovinos, ovinos, caprinos e equinos.

Como a braquiária chega ao fígado do cavalo

As braquiárias (hoje gênero Urochloa) contêm saponinas esteroidais, sobretudo a protodioscina. No trato digestivo ela vira sapogeninas que formam cristais nos ductos biliares, lesam o fígado e obstruem a bile. Com a bile travada, a filoeritrina não sai. É o mecanismo descrito na revisão de Low (2015) e no estudo de Lozano e colaboradores (2017) sobre braquiárias da Colômbia.

No estudo colombiano, a decumbens teve o maior teor de protodioscina; a brizantha, base de grande parte dos pastos brasileiros, teve teor menor, mas presente; a humidicola não teve protodioscina detectável. O Merck lista a Brachiaria brizantha entre as plantas hepatotóxicas que causam fotossensibilização secundária.

Quase toda a literatura sobre braquiária é em ruminantes. Em equinos, o mesmo mecanismo está documentado com o Panicum, capim do mesmo grupo de saponinas: o Merck descreve nos cavalos icterícia, fotossensibilização, cólica intermitente, febre e perda de peso, e observa que as plantas jovens são as mais perigosas pelo teor de saponina. Por que cavalos de todas as pelagens adoecem com pasto de braquiária?

A melanina bloqueia parte da luz ultravioleta. Por isso a lesão aparece primeiro na pele despigmentada ou no pelo ralo: focinho rosa, cara branca, pálpebras, orelhas, marcas brancas nos membros. Tordilho e pelagem clara mostrao quadro antes.

O cavalo escuro não está livre. O Merck afirma que concentrações altas de toxina ou de filoeritrina, somadas a sol muito forte, provocam lesão também em pele pigmentada. E a revisão de Low registra que animais pigmentados podem ter a doença subclínica: enzimas hepáticas alteradas sem fotossensibilização visível. Sob sol forte, o preto e o castanho podem lesionar e, mesmo sem lesão, ter o fígado comprometido, com apatia, falta de apetite e mucosas amareladas.

Quais sinais aparecem na pele e no resto do cavalo

O primeiro sinal é de comportamento: o cavalo fica fotofóbico assim que sai ao sol, agitado, esfrega e coça as áreas atingidas. Depois vêm vermelhidão e edema das áreas despigmentadas, que evoluem para bolhas, exsudação, úlcera, crostas, necrose e descolamento da pele morta, que leva o pelo junto: é a perda de pelo em placas. Na coroa do casco, o Merck descreve até esão com claudicação.

Fora da pele, os sinais são do fígado: icterícia, perda de apetite, apatia, perda de peso, cólica intermitente, febre e, em quadros graves, alterações neurológicas.

Diferenciais: queimadura de sol comum (só pele rosada, sem sinal de fígado), dermatofilose, habronemose e alergia. A distinção é clínica e laboratorial.

O que fazer, passo a passo

  • 1. Tire o cavalo do pasto suspeito hoje. Não espere confirmar a planta. Sem outra grama, o cavalo fica em baia ou piquete sem capim, com feno e água à vontade.
  • 2. Sombra total durante o dia. O Merck orienta sombra completa ou estabulação, com pasto só no escuro. Pasto noturno, só em área sem a planta suspeita.
  • 3. Chame o veterinário para exame de sangue. Enzimas hepáticas (como a GGT) e bilirrubina mostram se o fígado está envolvido. Confirmação, avaliação do lote e medicação são dele.
  • 4. Não passe nada na lesão por conta própria. Nada de iodo, óleo queimado, pomada com corticoide da prateleira, desinfetante de ambiente ou sabão de coco. Lesão úmida, aberta ou necrosada é ferida, e é do veterinário.
  • 5. Proteja do sol e da mosca o que está exposto. Máscara com focinho e orelhas e, nas áreas rosadas íntegras, protetor solar veterinário ou infantil, sem perfume, com óxido de zinco ou dióxido de titânio, conforme o veterinário.
  • 6. Avalie o pasto antes de devolver qualquer animal. Rebrota depois da chuva ou da roçada, entrada das águas, lote recém-chegado e animal jovem são os cenários de risco. Folhas jovens têm várias vezes mais saponina do que as maduras, e houve teores altos também na seca.

Pele em recuperação: onde o dermocosmético entra e onde não entra

Segundo o Merck, as lesões de pele cicatrizam notavelmente bem, mesmo depois de necrose extensa, quando o animal sai do sol e da causa. O prognóstico é do fígado, pode ser reservado, e quem acompanha é o veterinário.

O dermocosmético entra numa fase específica: diagnóstico fechado, cavalo fora do pasto e do sol, pele seca, sem secreção nem ferida aberta. Para limpar, o Shampoo All Soft Coco Nut diluído, sem esfregar nem arrancar crosta, bem enxaguado; a fórmula protege o manto lipídico. Na pele já íntegra e seca, o NutriOil puro ou emulsionado em água, com patch test e longe de olhos e mucosas. No focinho e nos lábios íntegros, o Balm Derma Butter faz barreira nutritiva vegetal; não é protetor solar e não substitui a sombra.

O que ele não faz: não trata fígado, Se a pele piora, interrompa e chame o veterinário.

Quando chamar o veterinário

No mesmo dia, se houver: pele inchada ou vermelha nas áreas brancas com o cavalo fugindo do sol; pele descolando, bolhas ou secreção; mucosas amareladas; olho fechado ou lacrimejando; apetite reduzido ou apatia; Ele decide exame, medicação e o momento de voltar ao pasto.

Referências

Recomendados EQUI’B para pele do cavalo após braquiária

Perguntas frequentes sobre braquiária e pele do cavalo

Cavalo preto ou alazão pode ter fotossensibilização por braquiária?

Pode. A causa é o fígado, que não depende da cor. A pele pigmentada lesiona menos e mais tarde, mas com toxina alta e sol forte também lesiona.

É queimadura de sol ou fotossensibilização?

Queimadura de sol comum atinge só a pele rosada, sem sinais de fígado. Fotossensibilização traz inchaço, bolhas, crostas, descolamento e, muitas vezes, icterícia e apatia.

Tirar do sol resolve?

Interrompe a lesão na pele, mas não tira a toxina do pasto nem recupera o fígado. É preciso tirar do pasto suspeito e fazer a avaliação hepática com o veterinário.

Posso passar óleo ou balm na área queimada?

Sim, e precisa tratar o fígado também.

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