Habronema no cavalo: porque a ferida cresce em vez de fechar

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Em resumo

  • Ferida de verão é o nome popular da habronemose cutânea: larvas do parasita Habronema, levadas pela mosca até uma ferida aberta ou mucosa úmida, ficam retidas na pele e provocam inflamação intensa e contínua.
  • Principais características: ferida que coça muito, granula em excesso (cria a “carne esponjosa”), cresce em vez de fechar e piora (ou volta) quando tem mais moscas.
  • Pomada cicatrizante comum e secante agressivo falham pelo mesmo motivo: nenhum dos dois age na causa. Sem retirar a larva do organismo, a ferida volta.
  • Diagnóstico e tratamento precisam do veterinário, e não espere fazendo quebra galhos. O tratamento passa por controle rigoroso de moscas, vermifugação conforme orientação e cuidado específico da pele no entorno. Cuidar da pele para reduzir a inflamação é um componente essencial no tratamento, e é nesse quesito que muitos tratamentos erram, pois usam produtos cáusticos e agressívos na ferida, na tentativa de “secar” a ferida. Esses produtos fortes agem superficialmente, aumentam a inflamação, o que aprofunda ainda mais o crescimento do tecido comprometido internamente.

Neste artigo

O roteiro se repete em muitas cocheiras: a ferida era do tamanho de uma moeda e recebeu o cuidado com produtos agressivos comuns em muitos locais. Três semanas depois está maior, alta, avermelhada, e o cavalo não para de se esfregar.

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O que é a ferida de verão, a habronemose, no cavalo?

É o nome popular da habronemose cutânea, uma reação inflamatória da pele às larvas de nematoides do gênero Habronema. Três espécies estão envolvidas: Habronema muscae, Habronema majus e Draschia megastoma. O parasita adulto vive no estômago do cavalo, em geral sem causar sinais; o problema é o desvio de rota das larvas. Elas dependem da mosca — principalmente a doméstica e a dos estábulos — como veículo, e, quando a mosca pousa em alguma feridinha já aberta ou em mucosa úmida, como o canto do olho e o prepúcio, deposita as larvas ali. Nesse local errado, elas não conseguem completar o ciclo que terminaria no estômago: essas larvas ficam presas na pele provocando grande desconforto. Diante de um corpo estranho vivo, que não vai embora, o organismo responde com inflamação intensa e contínua, e é essa inflamação que mantém a ferida aberta, que causa o crescimento exacerbado de tecido e as larvas vão aprofundando cada vez mais no tecido.

Como reconhecer que não é uma ferida comum?

Pelo comportamento da lesão. Primeiro sinal: coceira intensa, o cavalo esfrega, morde, bate a perna. Segundo: granulação em excesso, formando o tecido avermelhado, alto e irregular que muita gente chama de carne esponjosa; o nome técnico é granulação exuberante. Terceiro: a ferida cresce em vez de fechar e às vezes mostra grânulos amarelados no meio do tecido, calcificações formadas em volta das larvas. Quarto: sazonalidade, o quadro acompanha a população de moscas e piora nos meses quentes. Somados os quatro sinais, entende-se por que essa lesão domina as buscas por “ferida que não cicatriza em cavalo”: ela não está demorando a fechar, está sendo impedida de fechar.

Por que pomada cicatrizante e agentes secantivos não resolvem?

Porque nenhum dos dois age na causa. A pomada cicatrizante cria condições para o tecido fechar, mas não atinge as larvas nem a reação inflamatória que existe por baixo; o estímulo que mantém a lesão aberta continua lá. O caminho de ressecar com produto agressivo, agride a pele viva em volta, e uma lesão irritada inflama ainda mais e segue atraindo mosca.. o ciclo se mantém. Sem retirar a larva do organismo do cavalo a ferida volta, mesmo quando ocorre melhora aparente.

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Porque é caso pra veterinário?

O diagnóstico e o tratamento são do veterinário. O protocolo antiparasitário e anti-inflamatório que resolve a habronemose é decisão clínica, tomada caso a caso, e desconfie de quem prometer receita pronta. Claro que controle rigoroso de moscas no animal e no ambiente, vermifugação em dia conforme a orientação do próprio veterinário, higiene da área e cuidado com a pele no entorno da lesão fazem parte do tratamento.

Como prevenir a habronemose?

Em três frentes, todas contra o vetor, porque sem mosca tem infestação. A primeira é a repelência de longa duração no cavalo, princípio detalhado em como proteger o cavalo das moscas — proteção que dura horas, não minutos, papel do Repelente 8h, com ativos de liberação gradual e sem álcool. A segunda é eliminar o criadouro: mosca não nasce na ferida, nasce no esterco acumulado e nos restos de cocho, e o que atrai mosca no cavalo mostra onde atacar. A terceira é a proteção imediata de qualquer ferida nova: machucado aberto atrai mosca no mesmo dia, como explicamos em mosca na ferida do cavalo, e limpar e proteger de imediato, conforme o que passar em ferida de cavalo, fecha essa janela antes que a mosca a encontre.

Referências

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Perguntas frequentes

O que é ferida de verão em cavalo?

É o nome popular da habronemose cutânea: larvas do parasita Habronema, depositadas por moscas em ferida aberta ou mucosa úmida, ficam presas na pele e provocam inflamação intensa. O resultado é uma ferida que coça, granula em excesso e cresce em vez de fechar.

Por que a ferida de verão coça tanto?

Porque a reação inflamatória contra as larvas presas na pele é intensa e contínua. A coceira leva o cavalo a esfregar e morder a região, o que agrava a lesão e a mantém aberta e atrativa para mais moscas.

O que são os pontinhos amarelados no meio da ferida?

São calcificações que se formam em volta das larvas presas no tecido. É um dos sinais que ajudam o veterinário a diferenciar a habronemose de uma ferida comum com granulação exuberante.

Pomada cicatrizante resolve ferida de verão?

Não, porque ela não age na causa, que são as larvas e a reação do organismo a elas. Sem o protocolo antiparasitário e anti-inflamatório definido pelo veterinário, a ferida tende a voltar mesmo após melhora aparente.

Como prevenir a ferida de verão?

Controlando o vetor em três frentes: repelência de longa duração no cavalo, eliminação dos criadouros de mosca (esterco acumulado, restos de cocho) e proteção imediata de qualquer ferida nova. Vermifugação em dia, conforme orientação do veterinário, completa o cerco.

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