Resumo
- Laminite é a inflamação das lâminas que unem a parede do casco ao osso.
- A laminite aguda é a crise, quando o cavalo mal pisa. Essa todo mundo conhece e teme.
- Já a laminite crônica é a inflamação permanente, que não tem os mesmos sintomas da laminite aguda. Ela ainda é pouco diagnosticada, mas traz muitos desconfortos.
- A laminite aguda não é um “azar” e ela quase nunca surge “do nada”: na maioria dos casos, os sinais da laminite crônica já estavam ali sem serem identificados.
- Com bons cuidados, dá para controlar a laminite crônica e, em muitos casos, o casco se recupera.
Quando se fala em laminite, quase todo mundo imagina o cavalo que mal consegue pisar no chão. Essa é a temida laminite aguda. Mas ela dificilmente aparece “do nada”. Na maioria dos casos, o casco já vinha dando sinais há tempos, e eles foram ignorados porque o cavalo não mancava.
O que é laminite (aguamento)
Laminite, também chamada de aguamento, é a inflamação das lâminas do casco. As lâminas são o tecido que prende a parede do casco à falange distal, o osso que fica dentro dele. Basicamente, é a estrutura que “gruda” e sustenta todo o peso no casco. Ela funciona como um “velcro” que garante que a parte óssea do cavalo fique suspensa e nunca toque no solo. É feita de um tecido vascularizado e sensível a qualquer alteração no organismo.
Quando essa ligação inflama, ela enfraquece e perde vitalidade, fazendo com que esse “velcro” comece a se soltar. Com isso, o osso pode se mover ou afundar dentro do casco.

Qual a diferença entre laminite aguda e laminite crônica
Laminite aguda é a crise. A dor é forte, o casco fica quente, o pulso dispara e o cavalo reluta em andar. É a imagem desesperadora que todo mundo tem de laminite.
Laminite crônica é a inflamação contínua. Ela pode vir depois de uma crise ou ir se instalando aos poucos, em episódios leves que vão e voltam. O cavalo segue trabalhando, correndo no piquete, às vezes só fica dolorido no chão duro ou nas pedras, mas o casco vai acumulando diversas alterações internas. O Manual Veterinário MSD registra que episódios leves e repetidos de laminite são comuns em cavalos que apresentam picos de insulina.
Os seis sinais abaixo podem estar todos presentes, sem o cavalo mancar. Mesmo assim, a laminite crônica já está instalada. Reconhecê-los nos possibilita agir antes que ela vire uma crise. Ao identificar alguns dos sinais no seu cavalo, não se desespere, mas procure um atendimento veterinário capaz de manejar a condição.
1. Pulso digital forte e casco quente
O pulso digital é a pulsação da artéria que desce pela parte de trás do boleto até o casco. Num cavalo saudável ele é tão fraco que dificilmente sentimos ao toque. Com o casco inflamado, ele fica mais forte e às vezes dá até para ver a artéria pulsando.
É um dos sinais precoces. Segundo a Hoof School, ele pode aparecer em poucas horas: um cavalo que vai para o pasto de manhã e come capim brotado (alto em açúcares) já pode estar com pulso forte à noite. E pode ser um cavalo que está galopando no piquete, sem mancar nem apresentar desconforto evidente. Por isso tanta gente deixa passar.



Quanto mais alto na perna você sente o pulso, mais forte a inflamação. Artéria pulsando à vista abaixo do joelho, na parte de dentro da pata, pede atenção imediata.
Como sentir o pulso digital
- Com o cavalo em repouso, nunca logo depois do trabalho.
- Use o dedo indicador e o médio, o polegar tem pulso próprio e confunde.
- Deslize os dedos pela lateral de trás do boleto até sentir um cordão fino, é ali que passa a artéria.
- Compare as quatro patas e aprenda o que é normal para o seu cavalo.
Junto com o pulso, passe as costas da mão na parede e na coroa das quatro patas. Casco saudável é sempre frio ao toque. Casco quente, ou um casco mais quente que os outros, é inflamação.
2. Coroa inflamada e anéis de inflamação
A coroa é a faixa logo abaixo dos pelos, onde fica o cório coronário. É onde o casco é “fabricado”, uma região supervascularizada. Minna Sarkkinen, fundadora da Hoof School, aprendeu com a veterinária Melanie Quick a olhar a coroa para medir a inflamação, sem raio X. Coroa inflamada fica mais alta, e pode ter aspecto de borracha e um leve brilho. Pode ficar avermelhada ou aparecer só como uma faixa estreita escondida logo abaixo dos pelos. Quanto mais larga a faixa, mais forte e mais antiga a inflamação. E se a “fábrica” de casco adoece, o casco vai crescer com alterações como afinamento, perda de densidade, descolamentos e formato irregular.



A inflamação de hoje vai virar o anel de amanhã. Conforme o casco cresce, ela desce pela parede em forma de anel. Na laminite, os anéis costumam ficar mais largos no talão que na pinça, porque o casco começa a crescer mais na frente devido à inflamação.

3. Abertura da parede (flare) e crescimento em pinça
Com as lâminas inflamadas, a ligação que elas fazem entre a parede e o osso enfraquece, se expande com a força mecânica e a parede começa a se abrir para fora na parte de baixo do casco, principalmente nas laterais. É o que se chama de flare. Para ver, compare o ângulo da parede perto da coroa com o ângulo perto do chão: se ele muda e a parede se abre, tem flare. Imagine uma unha sendo separada no seu dedo, como se estivesse sendo arrancada aos poucos. O flare dói muito e piora conforme a condição avança sem cuidado. Mesmo assim, o cavalo pode não dar sinais evidentes de dor e muitos não apresentam manqueira.

Na pinça, esse processo aparece como um casco pontudo, esticado para a frente, com a parede abaulando em vez de descer reta no ângulo de saída da coroa. Isso pode aparecer como um casco achinelado que vai se agravando. Mas muitas vezes o casqueamento corretivo reduz essa ponta (o que precisa ser feito para aliviar o estresse em tendões e ligamentos), fazendo com que a condição fique menos evidente ao leigo.
Ainda assim, o abaulamento da parte frontal do casco vai estar presente. A AAEP explica que esse casco abaulado vem do crescimento desigual. A pinça longa empurra o osso para trás e para baixo e costuma andar junto com a sola fina.


Sabe o cavalo que sofre de sola sensível, sola rasa, e que depende de palmilhas e ferrageamento especial? Dar conforto ao cavalo é necessário, mas não é algo que deveríamos normalizar.
Esqueça a ideia antiga de que o casco do cavalo é apenas fraco, ou que ele simplesmente tem a sola frágil. Hoje já sabemos que são sinais de doença do casco, que é uma condição que pode se tornar crônica até agudizar. Mas também sabemos que existem meios de prevenção e tratamento, e eles nem são custosos. Na maioria das vezes, o mais desafiador é mudar a cultura antiga, de uma época em que ainda pouco se sabia dessas condições, do que promover ajustes no manejo, nos cuidados e na dieta necessários.
A Hoof School aponta duas frentes para corrigir: casqueamento especializado, com frequência maior em alguns casos, e dieta, porque amido e açúcares (que geram picos de insulina) em excesso estão entre as principais causas. Cuidar dos cascos em todas as etapas passa também por inspeção diária, higienização e suporte dermatológico nas condições externas.
4. Sola fina, sola rasa e sola sensível
Com a inflamação e enfraquecimento das lâminas, o osso de dentro do casco perde a sustentação, pressionando mais a sola. A sola vai ficando “rasa”, rente ao solo e sem a concavidade natural. Aí que o cavalo passa a sentir o chão, isso dói muito. Segundo o The Laminitis Site, a sola deve ter pelo menos 10 mm de distância da borda, sem apoiar no piso.
O sinal é aquele cavalo que até anda bem na grama e na areia, mas pisa em ovos no concreto e no cascalho. Muita gente acha que é só casco sensível, sola fina. Pode ser laminite crônica.
Desse processo, podem surgir hematomas na sola. Mas quase nunca é de atrito ou de pisar em pedras. Na maioria das vezes é a sola colapsada com o osso pressionando por dentro. A AAEP lista a sola plana ou rasa e os hematomas entre os sinais de laminite crônica. O roxo (sangue coagulado) pode aparecer de 4 a 8 semanas depois da lesão, quando a sola cresce e mostra a mancha. Imagina a dor? Mas ainda assim, nem sempre esse cavalo apresenta manqueira evidente.

5. Brocas ou abscessos, o sinal que ninguém relaciona
Este é o sinal que quase ninguém liga à laminite. A broca costuma ser vista como azar: uma pedra, uma sujeira que entrou, um cravo. Mas e quando ela volta de novo e de novo? O mais comum é ter laminite por trás.
A Hoof School explica três caminhos:
- Linha branca: aberta, que expande e deixa sujeira e bactérias entrarem na separação (cavidades entre a parede e a sola). E o que causa expansão da linha branca é a laminite.
- Barras altas: a pressão da pisada nas barras machuca o tecido vivo por baixo, que necrosa e infecciona. Num casco já inflamado, isso acontece com frequência e aprofunda as infecções bacterianas, que aumentam a inflamação.
- Osso pressionando a sola: o tecido da sola chega a se romper por dentro, causando machucados que infectam e criam abscessos de pus.
A Associação Americana de Veterinários de Equinos (AAEP) também lista os abscessos, junto com a linha branca alargada, entre os sinais de laminite crônica, e o Manual Veterinário MSD cita os abscessos frequentes entre as complicações da laminite. Veja mais sobre a broca no casco do cavalo.


6. Linha branca aberta e rachaduras
A linha branca é a união entre a parede e a sola. Na laminite crônica ela se alarga e se abre, às vezes com pontos de sangue, e a parede começa a descolar. Por essa abertura entram sujeira e bactérias e começam as infiltrações que são difíceis de tratar. Veja mais sobre a linha branca do casco.
A parede enfraquecida, que já vem de uma formação de casco menos denso, também quebra com mais facilidade. Rachadura parece só estética, mas é um alerta sério: a Hoof School explica que ela também nasce da inflamação, muitas vezes ligada à dieta ou a intervalos longos entre casqueamentos. É um sintoma. Corrigindo a causa, o casco fica mais forte.
Dois mitos que atrasam o cuidado
A laminite começa pela manqueira. Não começa. Quando o cavalo manca, a inflamação já está ali há tempo. Pulso e coroa são os primeiros avisos.
Laminite é coisa de cavalo gordo. Obesidade e problemas hormonais, como a síndrome metabólica equina e a PPID, aumentam muito o risco. Mas a Hoof School observa que qualquer cavalo pode entrar e sair de episódios leves de laminite, puxados por pasto, dieta, impacto, dor e casqueamento inadequado. O cavalo da foto dos anéis, lá em cima, não tem problema metabólico mas apresenta um quadro bem típico de laminite crônica.
Como prevenir a laminite no dia a dia
- Sinta o pulso com frequência, sempre em repouso, para conhecer o normal do seu cavalo.
- Casqueamento frequente. A Hoof School recomenda intervalo de no máximo 4 semanas, sem deixar pinça longa, barras altas (que encostem no piso) e parede descolando. O ideal, segundo ela, são pequenos acertos semanais entre as visitas do casqueador caso seu cavalo demande um manejo mais minucioso.
- Pouco açúcar e amido na dieta. E aqui na EQUI’B a gente reforça: excesso de amido e açúcar inflama o corpo todo, e isso aparece na pele e no casco. Mudanças de dieta, sempre aos poucos e com recomendação veterinária especializada.
- Pasto com horário para cavalos de risco. Se seu cavalo tem algum sinal, limite o pastejo ao fim da madrugada e ao começo da manhã, quando o açúcar do capim é menor. A Universidade de Minnesota recomenda pastar entre 3 h e 10 h. A focinheira de pastejo ajuda o cavalo a comer menos capim de uma vez, e pode ser usada com recomendação individual.
- Movimento! Casco forte é casco de cavalo que se movimenta, sem movimento não há uma boa circulação. Aquela uma hora de exercício intenso não conta, é preciso caminhar de forma constante e com menos impacto. Uma pista em volta do piquete, com feno espalhado pelo caminho, pode fazer o cavalo andar mais e fracionar o consumo de volumoso.
- Casco limpo e seco todo dia. A limpeza diária é também a hora de sentir o pulso e olhar sola, linha branca e ranilha. Atue nos primeiros sinais de alterações.


Na limpeza, olhe com atenção a ranilha. O The Laminitis Site observa que a podridão da ranilha é muito mais comum (e intensa) em cavalos com laminite, porque o talão contraído deixa o sulco central fundo, onde a sujeira fica presa e as bactérias corroem o tecido vivo. A Hoof School lembra que a ranilha também depende de dieta e movimento: açúcar demais prejudica a ranilha, e o casco que trabalha mais tem ranilha mais saudável.

Os produtos EQUI’B no cuidado de cada sinal
- Sérum 3DCoronext na coroa, sendo aquele adjuvante em todo o protocolo, junto com a dieta, o casqueamento e o movimento. Estimula a circulação, protege os microvasos, ajuda a reduzir a inflamação local e faz o casco novo crescer melhor desde a base. Também é indicado para minimizar anéis de estresse, paredes e solas finas, sola rasa e rachaduras de quarto. Reaplique todo dia, ou pelo menos duas vezes por semana nas bandas coronárias.
- Spray Higienizador FreshFeet na limpeza de todo dia. Todo dia! Higieniza sola e ranilha, reduz biofilme e auxilia no debridamento de tecido necrosado, previne bactérias e fungos e pode ser usado antes e depois do casqueamento. Também é auxiliar no tratamento de brocas e abscessos e ajuda a manter a sola mais seca e desinfetada.
- Fluido Fortalecedor StrongBase para fortalecer o tecido existente, nas paredes que abrem, nas solas finas e nas rachaduras. Ele auxilia no reforço da ligação entre as moléculas de queratina e endurece paredes e solas frágeis, finas ou amolecidas, sem causar ressecamento excessivo. Aplique na parede e nas solas, longe da coroa.
- Óleo Dermo Cascos No Hoof No Horse na sola sensível, afinada e com infiltrações, além de nutrir todos os tecidos atua nas solas inflamadas e auxilia no manejo do inchaço, da inflamação local e da dor nos cascos.
- Limpador Intensivo UltraPur na broca, fungos e na linha branca aberta, ranilhas e sulcos com podridão. Sempre entra depois da limpeza. Lembre de contar com o ferrador ou o veterinário abrir e retirar o tecido indesejado, aprofundando as cavidades e ajudando no debridamento do tecido morto. Também é indicado para as doenças da linha branca, as áreas de infiltração e descolamento e a podridão de ranilha. Aplique 2 a 3x na semana.
Veterinário e casqueador no mesmo time
Percebeu pulso forte, casco quente ou coroa inchada? Chame o veterinário. Ele vai investigar a causa, que pode ser a dieta, o pasto, um problema hormonal ou outra doença, e definir o tratamento. O casqueador cuida do equilíbrio e da estrutura do casco. E o cuidado de todo dia, com dieta, movimento e os produtos certos, ajuda o casco a se recuperar e a crescer forte.
Se o cavalo estiver em crise, relutando em andar, é urgência. Ligue para o veterinário na hora.
Perguntas frequentes
Laminite e aguamento são a mesma coisa?
Sim. Aguamento é o nome popular da laminite no Brasil.
Cavalo com laminite crônica sempre manca?
Não. Ele pode andar bem em chão macio e só sentir no chão duro ou nas pedras. Os sinais do casco mostram que a inflamação está ali mesmo sem manqueira.
Todo anel no casco é laminite?
Não necessariamente. O sinal descrito pela AAEP é o anel que fica mais largo da pinça para o talão. Na dúvida, mostre ao casqueador ou ao veterinário.
Cavalo magro pode ter laminite?
Pode. Obesidade e problemas hormonais aumentam o risco, mas pasto, dieta, casqueamento e doenças como cólica e febre também desencadeiam laminite.
Dá para recuperar um casco com laminite crônica?
Em muitos casos, sim. Com a causa controlada, casqueamento frequente e movimento, o casco novo cresce mais saudável. Como o casco leva meses para crescer da coroa até o chão, a recuperação é gradual.
Recomendados EQUI’B para o casco

FreshFeet Higienizador de Solas e Ranilhas
higiene diária da sola e da ranilha e auxiliar em brocas e abscessos.

StrongBase Fluido Fortalecedor de Cascos
reforça a queratina da parede que abre, da sola fina e das rachaduras.

3DCoronext Serum Crescimento DermoCascos
aplicado na coroa, adjuvante em todos os sinais, junto com dieta, casqueamento e movimento.
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Referências
- Hoof School. Early signs of laminitis: the overlooked clues most horse owners miss.
- Sarkkinen, M. 5 signs your horse has hoof problems (and what to do about them). Hoof School.
- The Laminitis Site. Feet A-Z.
- MSD Veterinary Manual. Laminitis in Horses.
- MSD Veterinary Manual. Thrush in Horses.
- AAEP. Learn to Recognize the Signs of Laminitis.
- Lesté-Lasserre, C. 10 early warning signs of laminitis in horses. The Horse, 2016.
- Donatelli, J. Take your horse’s digital pulse. Practical Horseman, 2019.
- Duggan, S.; Downing, T. A horse owner’s guide to pasture-associated laminitis. Oregon State University Extension, 2022.
- Martinson, K. Grazing horses prone to laminitis. University of Minnesota Extension, 2023.
- Thomassian, A. et al. Patofisiologia e tratamento da pododermatite asséptica difusa nos equinos (laminite equina). Revista de Educação Continuada do CRMV-SP, 2000.
- Mattos, T. N. S. et al. Tratamento da laminite em equinos: uma revisão integrativa da literatura. UFFS.
Créditos das imagens: fotos de Hoof School. Ilustração do casco saudável e com laminite: ThinLine, adaptada pela EQUI’B. Foto da parede abaulada na pinça: Barefoot Horse Blog. Foto da focinheira de pastejo: Montanabw, licença CC BY-SA 4.0.


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