Em resumo
- As placas brancas, secas e ásperas na face interna da orelha do cavalo quase nunca são fungo. Na grande maioria dos casos são placas auriculares, causadas por papilomavírus equino.
- O vírus chega pela picada de insetos, que ataca cabeça e orelhas de manhã cedo e no fim da tarde. A placa em si costuma não doer nem coçar; a sensibilidade vem da picada e do manejo errado.
- Iodo, clorexidina, pomada antifúngica e ácidos não resolvem placa auricular e podem deixar o cavalo muito dolorido. Diagnóstico tem que vir do veterinário.
- Creme repelente reduz a exposição ao borrachudo e o limpador sem enxágue higieniza sem esfregar. Máscaras ajudam o manejo no clima intenso.
Neste artigo
- O que o dono vê na orelha e por que todo mundo chama de fungo
- Placa auricular: um vírus, um borrachudo e nenhum fungo
- Se a placa não dói, por que o cavalo não deixa tocar a orelha?
- O que mais pode ser: sarcoide, picada, dermatofilose, sol e micose de verdade
- O que não fazer na orelha do cavalo
- O que fazer, passo a passo
- Quando chamar o veterinário
- Perguntas frequentes sobre fungo na orelha do cavalo
- Referências
Você vira a orelha do cavalo para passar a cabeçada e vê: manchas brancas, ásperas, escamosas, na parte de dentro. Às vezes nas duas orelhas. O cavalo encolhe a cabeça, fica tenso. Alguém no haras olha e decreta: tá com fungo na orelha.
O nome pega porque a lesão parece micose: branca, seca, com crosta. Mas o que aparece na face interna da orelha, na grande maioria das vezes, não é fungo. É placa auricular, uma lesão viral com transmissor conhecido, e isso muda tudo o que você deveria fazer em seguida. Para fungo no resto do corpo, leia Fungo em cavalo e O que passar em fungo de cavalo.
O que o dono vê na orelha e por que todo mundo chama de fungo
A placa auricular começa como pontinhos brancos, do tamanho de uma cabeça de alfinete, na face côncava da orelha. Com o tempo eles se juntam em placas maiores, despigmentadas, de pele engrossada e áspera. Por baixo da crosta a pele fica rosada e brilhante, sem pelo. É comum acometer as duas orelhas.
O que traz o dono ao veterinário raramente é a placa. É o comportamento: cavalo que não deixa tocar a orelha, que foge da cabeçada, que sacode a cabeça. Como a lesão é branca e descama, o diagnóstico de bar do haras é fungo, seguido de pomada antifúngica ou pano com iodo. A literatura veterinária é direta: “fungo de orelha” é um nome errado.
Placa auricular: um vírus, um mosquito e nenhum fungo
As placas auriculares são causadas por tipos do papilomavírus equino. O provável transportador é o borrachudo, que ataca de manhã cedo e no fim da tarde, mirando cabeça, orelhas e a parte de baixo da barriga. Em países sem borrachudo não há registro da doença. Contato direto e equipamento contaminado também podem contribuir.
Duas informações mudam a conduta. Em geral as placas não somem sozinhas: há relatos de regressão, mas a área costuma ficar despigmentada ou sem pelo. E pomada antifúngica não faz nada, porque não há fungo para tratar.
Existe tratamento, e ele é veterinário: um tópico prescrito que provoca inflamação intensa, exige retirada das crostas e, na maioria dos cavalos, sedação. Leva meses e nem todo cavalo precisa dele. Muitos veterinários preferem não tratar cavalos sem incômodo, porque tentativas de remoção com frequência só aumentam a sensibilidade da orelha. Cuidar da imunidade é a conduta mais frequente.
Se a placa não dói, por que o cavalo não deixa tocar a orelha?
Na maioria dos cavalos a placa auricular não causa dor nem coceira. O incômodo vem de duas fontes. A primeira é a picada do borrachudo em si, que causa dermatite e desconforto na face interna da orelha enquanto o cavalo está exposto. A segunda é o manejo: raspar, esfregar e arrancar crosta dói, e o cavalo aprende a associar a mão na orelha à dor.
Alguns cavalos, mesmo assim, desenvolvem sensibilidade real na cabeça e nas orelhas, com resistência ao trato e à cabeçada. Em casos extremos a orelha fica dura ao toque e deixa de dobrar. Desfazer a associação entre mão e dor leva muito mais tempo do que criá-la. A primeira regra, portanto, é proteger a orelha e parar de mexer nela.
O que mais pode ser: sarcoide, alergias à picada de insetos, dermatofilose e micose de verdade
Nem toda lesão de orelha é placa auricular. A tabela resume os diferenciais que o veterinário considera.
| O que você vê | O que sugere | Quem confirma e como |
|---|---|---|
| Placas brancas, secas e ásperas na parte interna, muitas vezes nas duas orelhas, sem coceira | Placa auricular | Veterinário, no exame clínico |
| Massa sem pelo e áspera na base, na borda ou na face interna, que pode ficar pequena e igual por muito tempo | Sarcoide, tumor de pele | Veterinário; ele decide se e como biopsiar, porque o sarcoide pode reagir mal à manipulação |
| Caroços pequenos e duros, áreas vermelhas com crosta de sangue no centro, que coçam | Picada de mosca ou borrachudo | Proteção contra insetos; veterinário se houver ferida |
| Crosta com pelo emaranhado depois de semanas de chuva | Dermatofilose | Veterinário, crosta ao microscópio |
| Ponta da orelha vermelha e inchada, depois com crosta, em pele clara | Queimadura de sol | Sombra; veterinário se a pele abrir |
| Crosta e descamação com queda de pelo, com lesões parecidas em sela e cilha | Dermatofitose, a micose de verdade | Veterinário, com microscopia, cultura ou PCR |
O que não fazer na orelha do cavalo
Não passe iodo, clorexidina, álcool nem pomada antifúngica por conta própria. Sem fungo, não há o que o antifúngico tratar, e produto irritante sobre pele já picada só aumenta a dermatite. Não arranque crosta, não esfregue com escova, não raspe com a unha: raspar as placas dói e pode deixar o animal reativo. A lista do que piora a pele está em O que nunca passar no cavalo.
Não tente tratar a placa com receita de internet. Feito pela metade, o tratamento entrega uma orelha inflamada, muita dor pro cavalo, e ainda pode alastrar o vírus.
O que fazer, passo a passo
- Fotografe e mande para o veterinário. As duas orelhas, com luz boa, sem mexer na lesão. Anote desde quando existe, se coça, se há sangue ou secreção.
- Corte a exposição ao borrachudo. Ele ataca de manhã cedo e no fim da tarde. Nesses horários, cavalo no abrigo ou na baia com tela. No piquete, máscara com cobertura de orelhas. Veja também Mosca de cavalo.
- Repelente onde o borrachudo procura. O Repelente Bye Flys Creme é a versão em creme para face, contorno dos olhos e orelhas, com liberação gradual por mais de 8 horas e sem álcool. Camada fina, com a mão ou um pano, na face e na parte externa e na entrada da orelha, sem entrar no canal e evitando olhos e mucosas. Teste em pele limpa antes, porque contém óleos essenciais. Ele reduz a exposição ao borrachudo. Não trata placa nem vírus.
- Limpeza suave, sem esfregar. Poeira, suor e resto de repelente saem com o Limpador sem enxágue So Nice & Bright em pano macio, sem molhar o cavalo inteiro. Passe ao redor, nunca sobre a placa, e nada dentro do canal. É higiene, não tratamento.
- Refaça a relação com a orelha. Toque curto, longe da lesão, recompensa, e pare antes de o cavalo reagir. Equipamento de cavalo com placa é pra ser dividido.
- Deixe a decisão de tratar com o veterinário. Cavalo sem incômodo pode ficar sem tratamento; cavalo que não aceita a cabeçada pode precisar.
Quando chamar o veterinário
Chame para qualquer lesão de orelha que você não sabe o que é, porque o diferencial inclui tumor. Chame logo se houver massa que cresce, ferida com sangue ou secreção, cavalo que sacode a cabeça sem parar ou mantém a orelha caída (carrapato e ácaro no canal entram nessa lista) e cavalo que passou a ficar reativo. Placa estável e sem dor pode esperar a visita de rotina, mas precisa ser vista.
Referências
- Tomich L. Equine Aural Plaques. Merck Veterinary Manual, 2026.
- Torres SMF. Disorders of the Outer Ear in Horses. Merck Veterinary Manual, 2026.
- Young A. 10 Things You Might Not Know About Equine Dermatology. UC Davis Center for Equine Health, Horse Report, 2022.
- Rice S, Skaggs J. Aural Plaques (Ear Papillomas) in Horses: Causes, Risk Factors & Treatment. Mad Barn, 2026.
- Moriello KA. Dermatophytosis in Horses. Merck Veterinary Manual, 2025.
Recomendados EQUI’B para fungo na orelha do cavalo
- Repelente Bye Flys Creme Ultra Protetor — creme para face, contorno dos olhos e orelhas, liberação gradual por mais de 8 horas, sem álcool; reduz a exposição ao borrachudo, não trata placa nem vírus.
- Limpador sem enxágue So Nice & Bright — limpeza gentil da face e do contorno da orelha com pano, sem esfregar e sem molhar o cavalo inteiro.
Perguntas frequentes sobre fungo na orelha do cavalo
Fungo na orelha do cavalo passa para outros cavalos?
Placa auricular não é fungo, é vírus. A transmissão provável é pelo borrachudo; contato direto e equipamento contaminado podem contribuir, por isso cabeçada e escova não passam de um cavalo para outro sem desinfecção.
Placa auricular some sozinha?
Em geral, não. Há relatos de regressão ao longo de meses, mas a área tende a ficar despigmentada ou sem pelo. Isso pede avaliação do veterinário, não tratamento por conta própria.
Posso passar pomada antifúngica ou iodo na orelha?
Não. Sem fungo não há o que tratar, e produto irritante sobre a pele picada aumenta a dermatite. Se o veterinário suspeitar de micose de verdade, ele colhe material antes de qualquer produto.
Repelente resolve a placa?
Não. O creme repelente reduz a exposição ao borrachudo, provável transmissor do vírus e causa da picada que incomoda. Placa instalada é assunto do veterinário. Dermocosmético não é medicamento.
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