Pele sensível e alergia no cavalo: causas mais comuns e como cuidar

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Em resumo

  • “Alergia de pele” não é uma coisa só. As causas mais comuns no Brasil são a alergia à picada de insetos e a fotossensibilização por braquiária, e cada uma tem conduta própria.
  • A alergia à picada de Culicoides (mosquito-do-cavalo, maruim, mosquito-pólvora) dá coceira intensa na crina, na base da cauda e na barriga, com queda de pelo e casquinhas, e piora na primavera e no verão.
  • Contra a alergia a insetos, o dono tem que ser estratégico: controlar o inseto (repelente e manejo) e cuidar da barreira da pele com higiene suave e um produto que nutre e acalma.
  • Já ferida, inchaço e crosta que pioram no sol, sobretudo no focinho e na pele rosada, são outra história: fotossensibilização, que pode vir da braquiária, de químicos ou de óleo essencial mal usado, e atinge cavalo de qualquer pelagem.

Neste artigo

Poucas coisas afligem tanto quem ama cavalo quanto vê-lo se esfregando na cerca até tirar o pelo, ou aparecer com feridas na cara. O primeiro passo para resolver é entender que “pele sensível” e “alergia” não são um diagnóstico único. São problemas diferentes, com causas diferentes, que pedem condutas diferentes. Tratar tudo igual é o que faz a coceira virar rotina. Vamos separar os principais.

Assadura na barrigueira em cavalo de pele sensível

Por que a pele do cavalo fica sensível ou alérgica?

Porque a pele é um ecossistema vivo, não uma capa impermeável. Ela tem barreira, um manto que segura água e lipídios, microbioma e pH próprios.

Com a barreira íntegra, a pele filtra agressões e se defende. Quando ela se rompe, por produto agressivo, umidade constante, atrito de arreio ou uma reação do próprio organismo, a pele fica reativa: coça, descama, inflama e deixa entrar o que não devia. Por isso todo cuidado com pele sensível começa por não piorar a barreira, o oposto do reflexo de “esfregar mais forte” e “passar algo que arde”.

O que é a alergia à picada de mosquito (dermatite estival)?

É uma reação de hipersensibilidade à saliva de insetos que picam, principalmente os do gênero Culicoides, o mosquito-do-cavalo, maruim ou mosquito-pólvora, e também o borrachudo (Simulium). O nome técnico é dermatite alérgica à picada de insetos, e a forma sazonal é a dermatite estival, ou prurido estival.

Não é o furo da picada que faz o estrago. É o sistema imune do cavalo alérgico que reage de forma exagerada à saliva do inseto, com coceira imediata e também tardia, horas depois.

O quadro tem uma assinatura fácil de reconhecer. A coceira é intensa e se concentra onde esses insetos picam: crina, base da cauda, linha da barriga, às vezes face e orelhas. De tanto se esfregar, o cavalo arranca pelo e cria áreas sem pelo, com casquinhas, pele engrossada e o famoso “rabo de rato”. Piora na primavera e no verão, no pico do inseto, e melhora no frio.

Como aliviar e prevenir a coceira da alergia a insetos?

Atacando o inseto e cuidando da pele, ao mesmo tempo, e essa parte está nas suas mãos. Contra alergia a picada, prevenção é tratamento.

O eixo é reduzir o contato com o inseto. Use um bom repelente de longa duração e reforce nos horários de pico: os Culicoides atacam mais no começo da manhã e no fim da tarde, então recolher o cavalo nesses horários, usar capas anti mosquitos, usar telas e ventiladores na baia (o inseto voa mal no vento) e evitar água parada faz uma diferença enorme.

Em paralelo, cuide da pele que já sofreu. Higienize com um shampoo suave, em pH fisiológico, para limpar sem agredir a barreira inflamada, e ajude a pele a se recuperar com um produto que nutre e acalma. Nas casquinhas e feridinhas do autotrauma, um bálsamo regenerador apoia a cicatrização. Nos casos mais intensos, o veterinário pode entrar com medicação para quebrar o ciclo da coceira, e o cuidado dermocosmético segue ao lado, dando conforto e reparo à pele.

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Manchas e feridas que pioram no sol podem ser fotossensibilização?

Podem, e aqui vale desfazer um engano comum. Fotossensibilização é quando uma substância que reage à luz está na pele e, sob o sol, provoca uma espécie de queimadura química: vermelhidão, inchaço, crostas, às vezes necrose.

E essa substância chega por caminhos que não dependem da cor do cavalo. Um deles é a braquiária, gramínea comum no Brasil cujas saponinas agridem o fígado; o fígado comprometido deixa de eliminar a filoeritrina, um subproduto da clorofila, que se acumula e vira o agente que reage ao sol. Outros são certos agentes químicos e óleos essenciais mal usados, mais uma prova de que “natural” não é sinônimo de seguro. Por isso a fotossensibilização por esses agentes atinge cavalo de qualquer pelagem, claro ou escuro.

O que a cor muda é onde a lesão bate mais forte. A pele rosada, sem pigmento, e as áreas de pelo ralo (focinho, contorno dos olhos, malhas brancas) sofrem primeiro, porque o pigmento e o pelo funcionam como um protetor solar natural. Num cavalo escuro, essas regiões rosadas existem do mesmo jeito, e é nelas que aparece. Isso é diferente da simples queimadura de sol, que é a fragilidade da pele rosada e despigmentada exposta demais ao sol.

De todo modo, aqui o nível muda: fotossensibilização por braquiária ou por químico costuma sinalizar que algo maior, muitas vezes o fígado, está em jogo. É caso de veterinário, com urgência. Enquanto ele investiga, tire o animal do pasto suspeito e do sol forte, e o cuidado tópico entra para ajudar a pele lesionada a se recuperar.

E a caspa e a coceira do dia a dia?

Nem toda coceira é alergia grave, e boa parte se resolve na rotina. Muita “caspa e coceira” é pele ressecada e desequilibrada por manejo e produto errado: banho com sabão de coco ou shampoo de gente, enxágue mal feito, suor seco grudado, pelo que nunca é escovado.

O caminho é gentil e constante: escovação diária para distribuir a oleosidade natural, banho com shampoo suave em pH fisiológico, enxágue completo e um óleo ou creme que nutra a pele e devolva conforto. Se a caspa vier com queda de pelo em placas, muita coceira ou feridas, aí não é só ressecamento, e vale a avaliação do veterinário para descartar infecção ou parasita.

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Perguntas frequentes

Por que meu cavalo se coça até tirar o pelo da crina e do rabo?

O padrão de coceira na crina, na base da cauda e na barriga, que piora no verão, é típico de alergia à picada de insetos (Culicoides). O cavalo reage à saliva do inseto e se esfrega até criar falhas e casquinhas. Controle do inseto e cuidado da barreira da pele resolvem a maior parte.

Como prevenir a dermatite estival (alergia a mosquito) no cavalo?

Reduzindo o contato com o inseto: repelente de longa duração, recolher o cavalo no começo da manhã e fim da tarde, capas anti mosca, telas e ventilador na baia e evitar água parada. A pele irritada se recupera com higiene suave e produto que nutre e acalma.

Meu cavalo tem feridas no focinho que pioram no sol. O que é?

Feridas e crostas que pioram no sol, sobretudo no focinho e na pele rosada, levantam suspeita de fotossensibilização. Ela pode vir da braquiária, de químicos ou de óleo essencial mal usado e atinge cavalo de qualquer pelagem, aparecendo pior onde a pele não tem pigmento. É caso de veterinário com urgência; tire o animal do pasto suspeito e do sol.

Caspa e coceira no cavalo é sempre alergia?

Não. Muita caspa e coceira é pele ressecada por banho com produto errado, enxágue incompleto e falta de escovação. Cuidado gentil e constante resolve. Se vier com queda de pelo em placas ou feridas, procure o veterinário.

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